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HORÁRIOS: de quinta a sábado, de 12h às 20h e domingo, de 10h às 18h.

Bonito pra chover é a mostra de abertura da Pinacoteca do Ceará e contempla três exposições: “Se arar”, coletiva de obras produzidas por diferentes gerações no Ceará; “No lápis da vida não tem borracha”, em homenagem aos 100 anos de nascimento do artista Aldemir Martins; e “Amar se aprende amando”, em homenagem aos 100 anos de nascimento do artista Antonio Bandeira.

BONITO PRA CHOVER

Rian Fontenele
Diretor da Pinacoteca do Ceará

O presságio anunciado com voz morna e altiva pelo eu lírico de olhos anuviados e baixos, pelo peso do caminho pedregoso, ausente de toda água e transbordante de toda luz. Tudo ao redor inundado de vento seco alumiado, pela vegetação enfezada de carrasco e capim, no suor das velhas pálpebras serenadas, cansadas de ver além. O horizonte de linha trêmula farfalhando inquieto em calmaria quente. O vento abafado que se inspira com sussurro o que se julga prenúncio, profecia de futuro que dissipa a estiagem de dentro.

O agouro do céu acinzentado, carregado de tanta memória e prece no informe de cada nuvem que se desaba em água, os líquidos da vida transmutando a terra árida e vermelha de pedra e pó em terra fértil, parideira de toda esperança, impregnando a presença com a fé renovada no estampido de cada trovoada e em cada gota fecunda que promete colheita a tudo que cresce.

A mostra inaugural de abertura da Pinacoteca do Ceará, Bonito Pra Chover, traz o festejo de um Ceará plural, desdobrado em suas potências e celebrado por sua força poética, diversa e insurgente da arte cearense presente no acervo do Governo do Estado, aqui revisitado.

Fazemos deste momento o gesto contundente de aprofundarmos, com olhar político, crítico e reflexivo, para a cartografia desta coleção expressa e nos perguntarmos com qual representatividade queremos dialogar e de que forma desejamos construir pertencimento. Esse caminho se faz pelo recorte e pelas lacunas aqui enveredadas, na possibilidade de fazer sendeiro e trilha para uma clareira possível de debate.

Como parte desta mostra, a exposição Se Arar, um olhar inquieto e sensível sobre um acervo fragmentado, dialogando com jovens artistas convidados, uma construção coletiva e manifesta de um largo espectro da produção artística cearense.

Além disso, comemoramos conjuntamente, neste ano de abertura, os centenários de Antonio Bandeira e Aldemir Martins, artistas que fizeram da vanguarda seus percursos.

Bandeira, um dos principais expoentes do abstracionismo lírico, tangeu com fulgor fagulhas e luminâncias para uma pintura na expressão de suas emoções e memórias, na insurreição da representação de uma realidade própria e rebelada.

Aldemir, artista de traço singular e incisivo, impõe à sua obra um figurativo crítico e político, expondo desigualdades, disputas, contradições e festejos de uma cultura que se reflete universal, para além dos espelhos de seus regionalismos, à luz dura e quente do sol a pino.

O enunciado Bonito Pra Chover faz-se em homenagem a Gilmar de Carvalho, professor, pesquisador e crítico cearense, encantado recentemente. Aqui o saudamos por ter feito da resistência e da provocação o seu exercício persistente. Bradamos, por fim, de peito cheio e com gesto grande, o rumor a ser ouvido ao longe: “Somos em plural”.

DEZEMBRO / 2022 a

JUNHO / 2023

PAVILHÕES 1 / 2 / 3

ENTRADA GRÁTIS.

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Esta exposição faz parte da mostra BONITO PRA CHOVER

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