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HORÁRIOS: de quinta a sábado, de 12h às 20h e domingo, de 10h às 18h.

A exposição Quando o Vento Sopra foi concebida para o Fotofestival SOLAR.

QUANDO O VENTO SOPRA

Curadora Ângela Berlinde

QUANDO O VENTO SOPRA
Blowing in the wind¹

Que força é essa?
Sou vento, fogo, folha e árvore
Espírito, paixão e sonho
Ilumino, aqueço, brilho
Aciono.
Sou matéria e força
Atualidade, vitalidade, instabilidade
Metamorfose e movimento.

Nesta edição o SOLAR dá luz ao passado com suas narrativas ancestrais para construir novos imaginários e significados para o futuro, propondo uma reflexão sobre a importância dos sonhos e do seu poder transformador. Num tempo em que o mundo se projeta a partir de algoritmos e estatísticas, reduzindo o sonho à sua dimensão de devaneio ou delírio, é urgente voltar a imaginar e lançar pistas para possíveis futuros. Não ter medo de SONHAR é um tema indispensável para a compreensão do nosso tempo e que se alastra para todos os domínios da vida política, econômica, social e cultural.

A Exposição que anima esta II edição do Vento SOLAR: QUANDO O VENTO SOPRA questiona a estrutura da vida a partir da sua capacidade mais extrema: a da metamorfose e movimento. Nesse fluxo constante e “maravilhamento” pela vida, os artistas espalhados nesta mostra coletiva, apresentada em sopro, ao ar e ao vento, exploram o espectro multifacetado do visível: Do ar vivificante que respiramos ao mistério dos sonhos, a arte torna o invisível – visível de muitas maneiras. Esta coleção de obras visa tornar este elemento visualmente tangível. Elas tratam dos mais diversos aspectos e significados do invisível e examinam suas manifestações na história, mitologia, ecologia, ciência, cultura e política.

Será que afinal é possível desenvolver uma forma luminosa de olhar para o mundo, mas também para a fotografia? Num mundo onde velhos ciclos de opressão assumem continuamente novas formas, o que é que a fotografia pode oferecer, para que possamos imaginar um caminho possível?

Blowing in the Wind A partir da metáfora da transformação da lagarta em borboleta, a vida é indissociável de uma identidade anatômica e ecológica específica em que todos os seres vivos participam numa existência única.

A edição atual – ancorada no tema da magia e dos sonhos – reúne o trabalho de artistas dos vários continentes e tenta refletir sobre o fluxo constante de imagens constelares, articulando essa imaginação. A coleção oferece uma variedade de propostas para chamar a atenção para aquilo que há muito se coloca na periferia, esses criadores de imagens nos mostram as possibilidades que estão a desafiar as narrativas dominantes.

Alguns trabalhos nos sussurram com insights adquiridos pela experiência vivida, nos empurrando para novas formas de ver e, consequentemente, gerando novas perspectivas sobre o Novo Mundo com destaque para a Ghost Island do caribenho Lisandro Suriel, que nos convida para um mergulho pelo realismo mágico ao explorar a identidade espectral no Atlântico Negro, e a série “Warawar wawa”, filho das estrelas do boliviano River Claure, que propõe um olhar libertador das narrativas reducionistas e folclóricas da sociedade boliviana mestiça, através de um imaginário fantástico, ao recontextualizar o romance do “Pequeno Príncipe’, de Antoine de Saint-Exupéry, na cultura andina contemporânea.

Alguns vão além do modo tradicional do documentário, usando abordagens multidisciplinares para apresentar verdades e visibilizando suas comunidades, como é o caso de Yael Martínez, que explora as conexões entre pobreza, narcotráfico e crime organizado no sul do México, trabalhando com os conceitos de dor, vazio, ausência e esquecimento. Um grito também de esperança pelos povos ameríndios na obra de Guadalupe Miles: Quanto à crise civilizatória que nos conduziu até aqui, num capitalismo devastador, cabe perguntar se nesses fragmentos dos povos ancestrais se encontra a imaginação e o poder de ensaiar uma vida possível na Terra.

Ao fazer isso, os artistas desta edição tentam preencher as lacunas que tornam as histórias convencionais incompletas. Diversos acontecimentos espalhados pelo globo parecem ter nos colocado em um estado de suspensão da realidade. Muitos argumentos distorcem ou simplificam realidades que envolvem o desenvolvimento sustentável deste planeta, a movimentação de populações vulneráveis e outros tantos temas que deveriam ser discutidos de maneira profunda e não com frases de efeito e propostas mal ajambradas.

Outros artistas recuperam uma forma alternativa de contar histórias, ao ressignificar o imaginário colonial, como é o caso da obra da espanhola Gloria Oyarzabal com Women go no Free que nos apresenta uma proposta para descolonizar o feminismo, questionando os arcabouços eurocêntricos que constroem categorias de gênero de forma universalista.

Nenhuma visão para o futuro pode ser completa sem um olhar para o passado. Muitos fotógrafos que aqui se apresentam trabalham com o arquivo – em alguns casos, escavando imagens do esquecimento ou reinterpretando outras em novos contextos, tal como a visão kitsch e apocalíptica de Diogo Moreno, que explora o inconsciente individual e coletivo presente nos álbuns de família.

Há ainda nesta coleção um convite a ser-se humano, à nossa faceta inventiva através da obra da artista suíça Dominique Teufen e a série As minhas viagens de volta ao mundo numa xerox. A ilusão parece perfeita, a nossa percepção desenha paisagens pitorescas, que na realidade são produtos de uma xerox: A imponente cordilheira é apenas um trivial pedaço de papel de seda, a praia idílica, um saco plástico e o impressionante glaciar, uma série de bolas de algodão.

Por fim, não podemos deixar de reparar nos ventos que nos chegam do Irã, uma das mais antigas civilizações de existência humana. Por ocasião dos protestos das mulheres no Irã, o SOLAR apresenta uma instalação fotográfica da artista iraniana Hoda Afshar com imagens por ela partilhadas no Instagram. É urgente lembrar e gritar de indignação perante a morte da iraniana Mahsa Amini, a jovem de 22 anos que morreu após ser detida pelos policiais de moralidade do Irã, supostamente por usar seu hijab de forma inadequada. O regime islâmico no Irã governa há décadas sob medo e ameaças e as mulheres têm lutado sozinhas contra os hijabs obrigatórios. Como soldados solitários!

Ao libertar as narrativas históricas das garras das autorias dominantes, os artistas desta edição do Vento Solar abrem o caminho para a imaginação de um futuro mais justo e luminoso.

Tudo é fluxo, tudo é metamorfose, “tudo é divino e maravilhoso”.

¹ Bob Dylan – Blowin’ in the Wind é uma canção escrita por Bob Dylan em 1962 – Embora tenha sido descrita como uma canção de protesto, ela coloca uma série de perguntas sobre a paz, a guerra e a liberdade. O refrão “The answer, my friend, is blowin’ in the wind” (literalmente “a resposta, meu amigo, está soprando no vento”) tem sido descrita como “impenetravelmente ambígua: ou a resposta é tão óbvia, ou é tão intangível quanto o vento”.

Os Artistas

CRISTINA DE MIDDEL
Fun Facts

DIEGO MORENO
Maliganal Influences

DOMINIQUE TEUFEN
My Travels Through The World On My Copy Machine

GLORIA OYARZABAL
Women go no Free

GUADALUPE MILES
Dourada

HODA AFSHAR
Mulheres do Irã / Curadora
convidada Verena Kasper

JANA NOWACK
Mistake or Miracle?

LISANDRO SURIEL
Ghost Island

RIVER CLAURE
Warawar wawa, son of the stars

SHINJI NAGABE
República das bananas

YAEL MARTÍNEZ
flor do tempo

07 / DEZEMBRO / 2022

a 05 / FEVEREIRO / 2023

MUSEU FERROVIÁRIO

ENTRADA GRÁTIS.

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Esta exposição faz parte da mostra BONITO PRA CHOVER

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