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Homenagem à Márcia Mendonça marca Dia da Visibilidade Trans

O filme "Deusa Olímpica" foi exibido aos presentes. Foto: Jorge Silvestre

Fazem 14 anos seguidos que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo. Atualmente, a expectativa média de vida de uma pessoa trans no Brasil é de menos de 35 anos, enquanto a da população em geral é de 75 anos. 

Por isso, 29 de janeiro foi escolhido como o Dia Nacional da Visibilidade Trans, uma data especial para combater a transfobia, mas também para celebrar a existências das vidas trans. Nesse sentido, a arte e os museus podem ser ferramentas poderosas no combate à transfobia, quando constroem outras imagens e narrativas para esses corpos.

A Pinacoteca do Ceará – um museu público que tem como missão cuidar e difundir o acervo de obras do estado – realizou no dia da visibilidade trans uma homenagem à artista plástica transexual Márcia Mendonça, que foi pintora e escultora e nasceu em 13 de fevereiro de 1949, no município de Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, cuja obra transitava pela arte sacra, realismo e surrealismo, retratando temas entre o sagrado e o profano.

A homenagem contou com a presença de aproximadamente 35 pessoas, de diferentes idades, corpos, gêneros e raças que se encontraram para participar de um encontro que foi ao mesmo tempo um espaço de dar visibilidade à uma artista ainda muito invisibilizada, mas também um espaço de formação de letramento de conceitos básicos sobre a transgeneridade.

O debate aconteceu após exibição do filme. Foto: Jorge Silvestre

A artista, produtora e mediadora da mesa Jupyra Carvalho leu uma “carta psicografada”, fabulando os desejos e pedidos de Márcia. Após a leitura de Jupyra, foi exibido o filme “Deusa Olímpica”, um documentário sobre a vida e obra de Márcia Mendonça, uma obra audiovisual que nos teletransporta para os territórios que Márcia transitou, desde os territórios religiosos da igreja até os territórios sensíveis da arte.

Emília Schramm, uma das realizadoras do filme “Deusa Olímpica”, narrou o seu processo de pesquisa e realização da obra e pontuou o estado de conservação das obras de Márcia e a necessidade de resgate por parte do poder público de um acervo de obras riquíssimas e valiosíssimas para a história da arte cearense do ponto de vista de uma artista transexual.

Wellington de Oliveira apresentou um slide recheado de imagens das obras de Márcia e comentou vários pontos da sua tese de doutorado, que foi uma longa pesquisa sobre a história de Márcia, passando por discussões tais como: estética da existência; arte objetual e arte existencial; processo de leitura e crítica de arte em diálogo com a tríade sociedade, espaço e tempo; imitação e transgressão; arte sacra; realismo; naturalismo; retratismo; surrealismo; arte cusquenha etc.

Isadora Ravena, travesti, professora e curadora, apresentou a sua experiência de sobrevivência como travesti no interior do Ceará, uma experiência que se aproxima da Márcia, na qual Isadora reconhece uma ancestralidade. Isadora exibiu o seu filme “O que é ser travesti?”, um filme sobre a experiência da travestilidade em diálogo com a experiência da migração (experiência cearense e sertaneja), o deslocamento territorial e existencial.

Texto: Lucas Dilacerda

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